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Reflexão sobre a comunicação e paróquia


Comunicação e paróquia: alguns pontos básicos e concretos

Por Helena Ribeiro Crépin / Natividade Pereira, fsp

(Fonte: http://www.vidapastoral.com.br/artigos/)

Com relação à comunicação na Igreja, corre-se o risco de focar demais nos ideais elevados e esquecer coisas básicas e concretas. Este artigo aborda elementos básicos, fundamentais para a comunicação na paróquia, os quais, não obstante sua importância, às vezes ficam relegados a segundo plano: a sonorização das igrejas; a iluminação e a introspecção; a comunicação na secretaria paroquial; os leitores e a música na liturgia.

Paróquia: espaço sagrado de comunicação da fé

A palavra “paróquia” vem do substantivo grego paroikía e do verbo paroikêin, que significa viver juntos, ou ao redor da casa. Até o século IV, não existiam paróquias, apenas as catedrais, que ficavam nas grandes cidades, porque o cristianismo era essencialmente um fenômeno urbano. A catedral era administrada pelo bispo, auxiliado por sua equipe de padres, que pregavam, celebravam e administravam os sacramentos. A partir do século V, com a oficialização do cristianismo como religião do império romano, surgiu a necessidade de descentralização. Em razão das distâncias geográficas e do crescimento do número de cristãos, foram marcados territórios, nas aldeias e cidades menores, para cada padre exercer o seu ministério, os quais ganharam o nome de paróquias.

A paróquia é uma célula da Igreja de Jesus Cristo e precisa de cuidados e criatividade para não morrer solitária. Com a mudança de época, a partir do Concílio Vaticano II, surgiram a necessidade de renovação e vários documentos sobre a vida paroquial, sempre buscando responder às exigências dos tempos. Antes catolicismo e cultura, espaço geográfico e espaço de fé estavam unidos e sem maiores problemas para a vida eclesial, mas hoje estamos em crise comunitária. Nosso modelo paroquial é bimilenar, respondeu por séculos às necessidades dos fiéis no seu contexto rural, mas a situação mudou e o sistema paroquial permaneceu. Por isso precisamos urgentemente sair do modelo estático de evangelização.

Para a renovação da paróquia e o bom desenvolvimento de sua comunicação, é fundamental, primeiro, ter presente que o pároco não é a paróquia – ambos têm identidades diferentes –, mas um depende do outro. A paróquia não pode se transformar na projeção do ego do padre. Comunicação é criar comunhão e participação entre todos.

Com o avanço das novas tecnologias e da informática, a paróquia precisa usar formas mais modernas para chegar aos jovens e às famílias. Precisa organizar a Pastoral da Comunicação, para promover melhor comunicação interna da Igreja, também por meio das redes sociais, fazendo suas atividades gerar notícias para as demais pastorais e para as pessoas que não frequentam o ambiente da igreja-templo.

Na Igreja, sobretudo a partir do papa Pio XII, em 1957, procurou-se organizar a comunicação interna e com a sociedade. Mas somente a partir do Concílio Vaticano II é que foi exigida das conferências episcopais e dioceses a criação urgente de um plano de pastoral da comunicação. No Brasil, a CNBB criou a Pascom – Pastoral da Comunicação, organizada em âmbito regional nas dioceses, paróquias e comunidades. A Pascom oferece formação, assessoria técnica e pastoral, com laboratórios e cursos. O objetivo é contribuir para a comunicação na paróquia. É importante lembrar que toda a paróquia e todas as suas atividades são comunicação, e não apenas o que é específico da Pascom. Sabemos o caminho para a renovação da paróquia; ele já está apontado nos documentos. Difícil é pôr em prática. Ainda nos falta aquele ardor missionário que exige conversão, mudança de postura e mentalidade, saída da zona de conforto.

Ao longo dos anos e sobretudo depois do Concílio Vaticano II, a Igreja e grande parte dos seus membros têm feito muitas reflexões, estabelecido princípios e prioridades, chamado à ação no campo da comunicação eclesial; diversos documentos importantes a respeito têm sido publicados. São necessárias atenção, disposição e iniciativas concretas para usufruir desses documentos e princípios, para pô-los em prática concretamente no dia a dia das paróquias e comunidades. Corremos o risco de ficar nos ideais elevados e esquecer coisas fundamentais, básicas e concretas da comunicação com os fiéis e com o público em geral. Neste artigo nos concentramos em elementos assim, básicos, fundamentais para a comunicação na Igreja, os quais, não obstante sua importância, às vezes ficam relegados a segundo plano: a sonorização das igrejas; a iluminação e a introspecção; a comunicação na secretaria paroquial; os leitores, a música e a liturgia.

A sonorização das igrejas

Podemos nos perguntar: como é que Jesus conseguia se comunicar com uma multidão sem sistema sonoro, sem o microfone? Certamente, ao sentar-se numa barca, por exemplo às margens do lago de Genesaré, suas palavras alcançavam melhor os ouvintes (cf. Lc 5,1-11). As palavras que proferia em montanhas ou lugares elevados também se serviam do ambiente para serem ouvidas. Faça a experiência: sente-se numa cadeira na praia e comece a ouvir as conversas descontraídas de quem está na água. Ou, estando próximo a uma montanha, escute a nitidez da fala de quem está em posição mais alta. Pelos cenários do evangelho, percebe-se que, certamente, Jesus tinha boas noções da acústica do planeta Terra.

Estudando a evolução da engenharia, sabe-se que, nas construções do império greco-romano, se usava muito o semicírculo, evidência da descoberta de que o som reflete melhor de baixo para cima, atuando com a acústica própria da natureza. Durante a Idade Média, a preocupação maior era na hora de construir o púlpito: uma pequena varanda ou balcão que dava para a nave da igreja, bem à vista dos fiéis, de onde falava o orador. Este, dotado de uma pequena ou média voz, mas sempre preparada e projetada com força na direção da assembleia, conseguia fazer-se ouvir, beneficiando-se também da localização física do púlpito, situado num lugar elevado. Se, obedecendo às leis da física, o som vai para cima, como se fazia nesse caso, em que a assembleia ficava embaixo? Muito simples: a voz reverberava no teto, nas colunas e chegava à assembleia com atraso, mas chegava.

Vale ressaltar que a sonorização é um elemento litúrgico articulador, pois, sem ouvir a Palavra, a homilia, as orações e o canto litúrgico adequadamente, as pessoas saem da igreja mais ou menos como entraram ou até ensurdecidas pela parafernália de barulhos similares aos que já enfrentam no cotidiano. Quando vão à igreja, deparam com algumas dificuldades, como ruídos, chiados, som reverberante, microfonia, além de gente mal preparada para proclamar as leituras. Somando tudo isso, às vezes a celebração se torna um sacrifício (distinto do de Jesus!) tanto para o presidente como para a assembleia, que não consegue celebrar tranquilamente e tem de suportar os ruídos na comunicação. Hoje em dia está em voga a palavra comunicação em todos os setores da Igreja, no entanto a aplicação prática do conceito não é tão frequente, pois muitas vezes nem sequer se ouvem as leituras e a homilia do padre.